A Viagem

Um pai e seus dois filhos adolescentes pelas Américas, chacoalhando em um Land Rover Defender. Desde que nasceram este sempre foi o meio de transporte de Francisco (2000) e Bárbara (2001). Inicialmente uma noventinha branca, depois uma cinza; a partir de dezembro de 2002, em uma cento e dez cinza, veículo em que conheceram boa parte das reservas naturais brasileiras (como Canastra, da Mantiqueira, do Caparaó, Iguaçu, Aparados da Serra, Caraça, Veadeiros, Jalapão, Guartelá e Vila Velha, entre outros), circularam por destinos turísticos de aventura como Bonito, Estrada Real, Serra do Rio do Rastro, Canela e Gramado, Paraty, Cidades Históricas mineiras, pequenas cidadezinhas simpáticas (como Treze Tílias, Corupá, Brusque e Blumenau, Búzios, Visconde de Mauá, São Joaquim, Presidente Getúlio, Cananéia e Iguape, Prudentópolis, União da Vitória, Entre Rios, Morretes e Antonina, São Francisco do Sul, Brotas, Petrópolis e Terezópolis, Pomerode, Bento Gonçalves, Bombinhas, Guaratuba, e dezenas de outras), para apenas desfrutar da paisagem e da gastronomia ou para a prática de Rafting, Canyoning, escalada, caminhada, arborismo e tiroleza,  ou cavernas como as do Petar, do Parque de Campinhos, de Maquiné ou Lapinha ou para mergulhos autônomos.

Verdadeiramente nunca deixamos de viajar, nem quando eram crianças de colo.

Dia dos Pais 2014 (6)

Depois da primeira Defender 110 veio outra, também cinza 2009 e, agora a atual 2011, preta, que preparamos para a Nossa Grande Viagem.

Quando Francisco e Bárbara tinham seis ou sete anos computamos 40 dos 53 finais de semana daquele ano em viagens, quase sempre na Defender. Nunca deixamos de viajar. E não apenas na Defender, mas também em outros carros ou em motos, no Brasil (chapada dos Guimarães, Pantanal, Lençóis Maranhenses e São Luís, Fortaleza, Jeriquaquara e Cumbuco, entre outras), e no exterior, com carros alugados pelo interior de Portugal, pelo sul da França e pela Provença, pela Borgonha e pela região de Bordeaux para conhecermos os vinhos, pela Córsega, nos Alpes para esquiar em Charmonix ou Grenoble, pelo sul da Alemanha e pela Suíça, pelo calcanhar da bota em Salento, na Itália, pelos Pirineus, pela Catalunia, pelo País Basco, ou pela nossa querida Andaluzia nos parques de Doñana, pelas Sierras Nevada, de Huelva ou da Grazalema, pela Estremadura ou por Cartilla-La Mancha.

Houve várias “viagens de mergulho” no Brasil (Abrolhos, Fernando de Noronha, naufrágios em Recife, Parque do Arvoredo, Búzios) e no exterior em Cozumel (México), em Aruba, Curaçao, Bonaire, San Martin e San Marteen e em Cuba no Caribe e também para Sharm El Sheikh, no Mar Vermelho, península do Sinai, em Zanzibar, na Tanzânia, na Grande Barreira de Corais na Austrália e nas paradisíacas Moreea, Bora-bora e Rangiroa, na Polinésia Francesa, nos Cenotes mexicanos e nos Jardines de La Reina em Cuba, entre outras, as últimas delas com Francisco e Bárbara.

Antes desta a que chamamos de “nossa grande viagem” havíamos tido uma experiência parecida quando rodamos 12.000 kms, rodando por onze países do Centro e Norte da Europa, em pouco mais de 40 dias a bordo de uma Voyager da Chrysler, quando nos mudávamos de Paris para Sevilha, em meados de 2009. Desde então, volta e meia, voltávamos ao tema assuntando quando voltaríamos para uma grande viagem. Seria pela África (partindo de Sevilla pela costa oeste até a África do Sul para subirmos pela costa Oeste até o Egito) ou seria pela Tailândia, Laos, Camboja, Vietnan? Ou por todos aqueles países que terminam em “ão” a oeste da Índia ? Costa a costa nos EUA ou na Austrália? Volta inteira na Islândia ? Ou por “nuestra América”?

Quando os pais de Francisco e Bárbara, por divergências de projetos de vida, decidiram não mais permanecerem casados surgiu a possibilidade de, em parte, realizarmos alguns destes sonhos: fomos os 3 para África (Quênia, Tanzânia e África do Sul), para a Austrália e Nova Zelândia, para a Polinésia Francesa (Tahiti, Bora-Bora, Moreea, Rangiroa), e, Bárbara com a mãe e Francisco com o pai, para os EUA (elas em N.York; eles em moto pelo sul profundo para ouvir Blues, Soul e Jazz) e os 4 para Cuba, para o México em “viagem de mergulho”.  Uma viagem engatando na outra.

Para além das viagens familiares os pais de Francisco e Bárbara também sempre viajaram muito, juntos ou separados, para distintos destinos, por atividade profissional como professores, por mero prazer de estarmos na estrada ou a trabalho, três ou quatro vezes ao ano para o exterior, duas dezenas de viagens para destinos diversos no Brasil, em média anual.

Com amigos queridos como Mauro Auache e Murilo Zanelo Milleo, e com os “Alces do Asfalto”, grupo de motociclistas curitibano, visitamos Vitória, Rio de Janeiro, Assunción, Buenos Aires, Foz do Iguaçu, Guaíra, Montevidéu, Punta del Leste, Tiradentes, Bento Gonçalves, Serra do Rio do Rastro, entre tantas viagens com o vento na cara em HDs ou em jipes: fomos a San Pedro de Atacama (Chile), Uyuni, Oruro, Tarija (Bolívia), para Córdoba e Salta (Argentina) ou para Mendoza para conhecermos os diversos vinhos Malbec em cada região, ou uma mescla de todos em Buenos Aires; ou para degustarmos diversos vinhos Tanat no Uruguai, mais de uma vez, ou ainda para visitarmos as vinícolas do Vale dos Vinhedos gaúcho ou da serra catarinense (São Joaquim e Caçador).

Enfim, viajamos muito, e sempre. Pelo prazer de ir, não necessariamente objetivando o destino, muitas vezes alterado no curso da aventura. Ir é melhor que chegar. Como em outras dimensões da vida, nas preliminares e no percurso é que encontramos o prazer que termina com a chegada. Vivemos a vida no gerúndio, endo, ando, sempre indo.

7 comentários em “A Viagem

  1. Desta vez ficamos na plateia, aplaudindo realizando juntos com vocês a grande viagem.
    E logo poderemos ter uma coleção invejável de fotos de pequeno artista Francisco e junto com esta menina Bárbara. Boa viagem e conte sempre conosco.

  2. Oi Xixo, imagens lindas … o carro tá super maneiro.

    Muito boa sorte para vcs.

    Que sejam só alegrias…
    abs
    Luis Azevedo

  3. Xixo,
    Foi uma agradável surpresa encontrar você na Revista da Challenging Your Dreams. Fizemos uma viagem curta até Mendoza e a minha Land já está impaciente na garagem esperando uma nova aventura.
    Grande abraço e sucesso na viagem.
    Ronaldo Baltazar

  4. Descubrí vuestro sitio en Land Rover Defender, excelente viaje el vuestro, yendo al Norte recorred la Ruta 1 entre Antofagasta e Iquique, éxitos!
    (estudei portugues no CEB, mas ja no lembro pra escreber…)

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