20/05

Com o carro fervendo muito, mesmo rodando em baixa velocidade, nos arrastamos de Lone Pine onde pernoitamos até próximo a Los Angeles, onde deixamos a Lola na oficina.

19/05

Contra o que indicaria o bom-senso, ao invés de retornarmos a Las Vegas, em busca de socorro mecânico, decidimos seguir viagem pelo Death Valley, especialente pelo Titus Valley, um estreito Canyon, de quase 100 km, pelo deserto, estrada de chão. Foi um dos mais bonitos trechos de nossa grande viagem até então.

18/05

Passamos ao largo de Las Vegas, já com o carro “fervendo”, em direção ao Death Valley. Em Parhump em pleno domingo encontramos um mecânico que trocou o termostato da Land. Não resolveu o problema. Decidimos dormir ali perto, em um motel na beira da estrada, em Amargosa.

17/05

Tocamos em direção a Las Vegas. Não conseguimos chegar. O esquecimento do cartão de crédito em Seliman, na Rota 66, implicou rodarmos 300 km a mais, retardando a chegada ao destino planejado. A opção foi um hotel-cassino na beira da estrada (Hoover Dan) Ao estacionarmos veio falar conosco a Vamessa, filha do Rogério Pinto, o mecânico que em Curitiba preparou a Land para esta viagem. O mundo é uma laranja. Ela estava de passagem e nos viu estacionar a Lola.

15/05

Depois de duas noites em Las Vegas, no hotel HardRock, fomos para Flagstaff, passando antes pelo Grand Canyon, onde também ficamos por duas noites, esperando o início da Overland Expo, onde acampamos na companhia dos amigos brasileiros do zanzando.com (Dan e Li), do Vamos para o Alasca (Amabry e Rosely), do Outsidersbrasil.com (Renan e Paula) e dos amigos do Mundo por Terra (Roy e Michelle).

Um horror o frio, a neve, a lama, o amadorismo na organização do evento. Tudo compensado, com sobra, pelo companheirismo que rolou entre os brasileiros que optaram pelo nomadismo.

13/05

Não fizemos os trâmites de saída do México. Mal orientados ficamos em uma longa fila de veículos imaginando se tratar da aduana mexicana (assim nos informaram). Não era. Acabamos entrando sem querer nos EUA. Nos deixaram passar sem nem mostrarmos os passaportes. Tive que parar o carro, pedir para a policial por favor carimbar nossa entrada nos EUA, temendo complicações na hora da saída.

Diferentemente dos outros países até então atravessados, não há nenhuma necessidade de registrar a entrada de veículo estrangeiro nos EUA.

Felizes da vida tocamos para Las Vegas.

12/05

Decidimos atravessar logo a fronteira, não por Tijuana como havíamos planejado, mas por Tecate, aconselhados por mexicanos. Dormimos a poucos metros da fronteira e atravessamos bem cedinho no dia seguinte.

11/05

Havíamos pensado em dormir em La Ensenada, mas protestos de trabalhadores sem terra acabaram interrompendo a estrada. Optamos por dormir na cidade que ficava a uns 40 km da zona de conflito, em Guerrero. Negro.

10/05

De volta a La Paz nos preparamos para na manhã seguinte subirmos em direção, à fronteira com os EUA. Seriam quase 1000 km. Fomos bem devagar, dormindo a primeira noite em Mulegé, simpática cidadezinha onde foi fundada uma das primeiras Missões religiosas na costa oeste do México.

09/05

Saímos cedinho para Cabo Pulmo onde ficamos por duas noites, fazendo 6 mergulhos, dois por dia.

08/05

Em La Paz, na Baja Califórnia, chegamos em alto estilo, já fazendo snorkel com tubarões-baleia. No dia seguinte fomos mergulhar na Isla Spiritu Santo. Nos hospedamos em um simpático Backpackers, por três noites.

03/05 – De Mazatlán a Los Mochis.

Sempre correndo, para tomarmos o Ferry de Topolobampo a La Paz, na pontinha da Península da Baja Califórnia, subimos por autopista (caríssima, quase 200 dólares só em pedágios) para Los Mochis ao lado do porto.

Nesta cidade fui achacado três vezes por policiais de trânsito corruptos. Nas duas primeiras vezes levaram dinheiro (mixaria, dez dólares cada vez). Na terceira vez pedi para o Fran gravar a conversa com o policial. Ele preferiu nos desejar goa viagem, desistindo da mordida.

O Ferry que deveria sair às 3:00 acabou deixando o Porto às 5:00. Como estávamos desde a meia-noite na fila do embarque, tivemos uma longa noite.

02/05

Saímos cedinho de Acapulco em direção a Guadalajara. Não fomos felizes lá. Chegamos tarde, sem reserva no hotel. Fomos diretamente ao centro da cidade. Horroroso como costumam ser os centros de cidade degradados pela prostituição, pela pequena criminalidade. Demoramos quase duas horas para conseguirmos um hotel. Ao amanhecer do dia seguinte saímos para Mazatlán.

Demos azar. Na noite anterior a polícia mexicana havia prendido um chefete local do narcotráfico. Em “reação” os outros traficantes promoveram uma sequência de atentados, bloqueios de estrada, queimando ônibus ou veículos de passeio, paralisando todas as estradas da Província. O que deveria ser uma viagem de 4 ou 5 horas acabou demorando 12 longas horas.

30/04

De Puerto Escondido, sempre pelo litoral, nos dirigimos Acapulco, onde chegamos já no início da noite, partindo no dia seguinte bem cedo. Uma pena teríamos gostado de passar umas duas ou três noites por lá.

Mas tivemos que fazer uma escolha: passar mais lentamente pelo México ou correr para conseguirmos chegar a tempo na Overland Expo, que se realizaria nos dias 15 a 18, em Flagstaff, no Arizona. Decidimos correr.

29/04

A segunda cidade foi a icônica San Cristóbal de las Casas onde, em 01/01/1994, eclodiu o movimento do EZLN, que projetou o movimento zapatista e seu sub-comandante, em âmbito internacional.

Depois de três noites na cidade o objetivo era Oaxaca, mas tivemos que mudar de planos, derivando para o litoral, diante das notícias de inúmeros bloqueios na estrada que nos conduziria serra acima . Dormimos em Puero Escondido.

27/04

A entrada no México foi o oposto da saída da Guatemala. Neste país, um contener com dois simpáticos policiais, facilitando as coisas para os turistas. do lado de lá uma super estrutura, uma parafernália.

Foi a primeira vez que a Lola passou por uma “geral” até com cão farejador. Rumamos direto a Palenque para conhecermos as ruínas mayas que ficaram no território atualmente mexicano.

22/04 – Honduras, El Salvador e Guatemala

Na saída da Nicarágua dois dissabores. O primeiro com um guarda de trânsito, de moto, que sinalizou para que encostássemos. Alegou que havía cometido uma gravíssima infração, mudando de faixa, da esquerda para a da direita, mais lenta.

Pediu meus documentos enquanto dava pinta de que nos deixaria seguir viagem uma vez satisfeito seu perverso desejo de demonstrar seu “poder”.

De posse dos documentos mudou de tom, disse que teria que apreender o carro, que o pagamento da multa teria que ser em um banco e que minha carteira de motorista (internacional) ficaria com ele até que pagássemos a multa.

Visivelemte queria ser corrompido. Concordei com ele, entrei no carro e fui embora. Deixei a carteira internacional de motorista com o corrupto. Preferi mandar fazer outra a me sujeitar ao autoritarismo dele.

O segundo dissabor foi na fronteira. Uma fila única para quem entra na Nicarágua vindo da Guatemala e para quem deixa o país, entrando na Nicarágua. Para que isso? As exigências para quem entra são muito maiores. Sujeitar quem sai àquela lenta fila só irrita os turistas e desestimula o turismo.

Muitos overlanders evitam ficar em Honduras. Preferem passar rapidamente (duas horas) saindo da Nicarágua e entrando em El Salvador.

Preferimos ir a Tegucigalpa e de lá tomamos um avião para a ilha de Roatán, na costa caribenha. Foi quase uma semana de mergulhos e relaxamento.

De volta a Tegucigalpa no dia seguinte cedinho fomos a El Salvador.

21/04

A entrada na Guatemala foi surpreendente. Fronteira fácil, desburocratizada. Do lado de lá uma realidade distinta. Deixáramos El Salvador, um país destruído por uma elite retrógrada, com péssima distribuição de renda, sem infraestrutura que possa permitir um fio de esperança em um futuro melhor.

Do outro lado modernas autopistas, com três ou quatro pistas indo, outro tanto voltando.

Reicidimos: decidindo contornar Guatemala City fomos diretamente a Antigua Guatemala, uma das mais lindas e preservadas cidades coloniais nas Américas. Umas dez vezes maior que o casco histórico de Cartagena, com aquele padrão de preservação.

Dormimos três noites na cidade, fomos até o lago de Atlistán, conhecemos as cidades que o margeiam . Poderíamos ficar uma semana a mais por lá, mas estávamos excitados com a possibilidade de conhecermos Tikal , uma das mais importantes cidades Mayas.

No caminho entre Antígua e Tikal fizemos uma parada estratégica, por uma noite, em Chisec para visitar as cavernas de La Candelária. De lá, foram três noites em Tikal.

Como já tínhamos ido a Belize, e por conta de uma informação equivocada de que seria necessário um visto especial para brasileiros, deixamos a Guatemala pelo norte entrando no México por uma fronteira pouco usual, em El Ceibo.

Nos despedíamos da América Central com um gosto de quero mais.

19/04

Novamente decidimos evitar as grandes cidades. Quando estávamos próximos a San Salvador decidimos não entrar na cidade e seguimos, pela Ruta de Las Flores até Suchitoto, uma adorável cidade colonial no norte de El Salvador.

De lá, passeando e sem pressa, decidimos dormir mais uma noite em El Salvador, antes de passarmos a fronteira. Queríamos comer as famosas pupusas no jantar de domingo e no desjejum da segunda cedo.

03 de março. Ferry-boat até Colón, Panamá

Foram dois dias muito chatos em Cartagena, com providências para embarque rumo ao Panamá e com conserto da Lola.

Não há um escritório da Ferry-Xpress onde se possa ir para falar pessoalmente, tomar informações, comprar tickets. Tudo tem que ser feito por intermédio de um site ruim, pouco funcional. Para se ter uma idéia: indica um número de telefone, mas não o código da cidade, e não é de Cartagena. Sem tal código não é possível falar por telefone a partir de Cartagena. Só conseguimos falar com o atendente usando nosso telefone brasileiro para o número que atende chamadas de fora do país. Irracionalidade total. No site diz que às terças e quintas transportam veículos, mas na verdade isso ocorre apenas às terças.

Por telefone brasileiro conseguimos falar com um gentil operador, Eduardo Morales, que nos vendeu os tickets que nos chegaram apenas na noite da véspera do embarque.

Entre um procedimento burocrático e outro (agente aduaneiro e DIAN) ainda tivemos que consertar o vidro e arrumar o ar-condicionado, na segunda-feira.

Perdemos o dia 03 com a incompetência privada da Ferry Express.

Conforme exigido estávamos pouco antes das 13 horas para realizar a fumigação do veículo. Começaram invocando com a limpeza do carro sugerindo que fosse lavado. Acatamos. Com a Lola limpinha retornamos uma hora mais tarde.

Fumigação feita, postamos o carro na longa fila de veículos overlanders. Éramos o trigésimo-terceiro carro, dos quarenta que embarcaríam.

Foram quatro horas de fila onde nada acontecia, sob um sol senegalês, não, pior, colombiano, enquanto outros mosca-mortas do DIAN faziam sua “inspeção”. Eram quatro burocratas, coletes e radinhos walk-talk a lhes dignificarem as estampas, demonstrando poder sobre os simples mortais aos quais vitimavam com suas lerdezas.

Entregues os papéis, um a um, os carros eram convocados a adentrar ao porto para passarem pela verificação da polícia anti-narcóticos. Obviamente tivemos que tirar toda a bagagem para ser fuçada por cachorros e por seus adestradores. Feito isso, estacionamos ao lado do barco para fazermos o check-in do embarque.

O martírio continuou.

Primeiro uma fila da polícia aeronáutica (como assim? Melhor nem perguntar) para mostrar o passaporte a uma senhora que anotava dados em uma planilha. Depois, corremos para o prédio central onde nos esperava nova fila, da própria Ferry Express, para fazer o check-in. Um desrespeito: por que não fizeram nosso check-in durante as quase cinco horas anteriores em que nos deixaram fritando sob inclemente calor? Foram mais duas horas de lenta fila para simplemente mostrar o passaporte e trocar o Voucher por um ticket de embarque!

Feito isso, novo controle de passaporte, na Imigração, para sairmos do país.

Toca correr para o carro, passado das 8 da noite, para entrar no navio. Na fila de carros, suprema irritação, vem um funcionário da Ferry Xpress para pedir para ver o passaporte. Entrego o ticket de embarque do carro. Ele diz que o ticket deve ser entregue a outro funcionário e que a ele (colete, walk-talk e apito, logo, “autoridade”, com poder!) deveria exibir novamente o passaporte: pela quinta vez desde que entramos no porto! Haja incompetência privada!
Extenuados nos atiramos nas camas de nossa cabine. Desmontados, sabendo que nos esperam pelo menos outras longas horas nos trâmites de ingresso no Panamá. O barco leva uns trezentos passageiros. E os que estão de carro serão os últimos a passar na Imigração e na Aduana. E não nos permitem que fiquemos no camarote que ocupamos. Devemos deixá-los duas horas antes da chegada. Porque sim.

01 de março. Chegada a Cartagena.

Depois de doze horas de estrada, com lindas paisagens, chegamos a Cartagena, com o ar-condicionado sem funcionar e, pior, com a janela do lado direito estragada (não subia o vidro). Mortos, cansados, mas satisfeitos. Havíamos cruzado a Colômbia, quase 1600 km, em 4 dias, subindo, descendo, milhares de curvas, com engarrafamentos, protestos indígenas, bloqueios por conta de obras e, pasmem, mais de cem postos de controle (polícia e exército).

A cidade é linda, murada, com excelentes restaurantes. Mantivemos o bom-humor, mercê dos infortúnios.

28 de fevereiro

O aniversário de Fran e Xixo foi consumido na estrada. Saímos cedo de Cali decididos a dormirmos adiante de Medellin, onde chegamos por volta das três da tarde.

Em um supermercado conseguimos sacar Pesos Colombianos do caixa eletrônico e, satisfeitos com a quilometragem que havíamos cumprido, esperávamos rodar mais uns 200 ou 250 km ainda naquela tarde.
Todavia a saída de Medellin foi caótica. Um engarrafamento por uma via de mão-dupla que serpenteia entre comércio ambulante de todo tipo, carros, ônibus e motos estacionados irregularmente, nos fez perder inacreditáveis duas horas para ultrapassarmos apenas 5 km.

Acabamos dormindo em Santa Rosa de los Osos, em um hotel de beira-de-estrada, modestíssimo, nos fundos de um posto de gasolina, onde também jantamos.

Partimos bem cedo, sem café da manhã. A qualidade do jantar não recomendava o desjejum no mesmo estabelecimento.

27 de fevereiro. Destino a Cali.

Se houvessemos dormido em Popayan almoçaríamos em Cali e teríamos a tarde e a noite para visitar pelo menos seu centro histórico. Em face daquele atraso decorrente da incompetência burocrática do DIAN, deixamos de rodar 300 km no dia anterior.

Para piorar, por volta das 3 da tarde nos deparamos com um bloqueio na estrada. Indígenas protestavam interrompendo a rodovia por quatro horas! Resultou que chegamos a Cali tarde da noite e tivemos que tomar uma decisão: aceleraríamos o ritmo, rumo a Cartagena a tempo de tomarmos o Ferry da próxima terça-feira (03 de março), ou iríamos com calma, adiando por uma semana a ida ao Panamá (a frequência do transporte de carros e motos é semanal).

Em um bom hotel em Cali, depois de uma excelente pizza e de boa música, deliberamos não corrermos o risco de retardar em uma semana nossa travessia ao Panamá. A empresa Ferry Xpress que lá opera tem dado mostras de que algo estranho está ocorrendo. Embora com frequência de duas vezes por semana no trajeto Caragena-Colón, transportam carros e motos apenas às terças. Nas quintas fazem o trajeto com os três andares de garagem vazios! E não é em todas as terças que transportam veículos. Alguns amigos ficaram mais de duas semanas para conseguirem atravessar para o Panamá. Quando já haviam desistido, contratando o transporte por conteiner foram surpreendidos com a boa nova: excepcionalmente a Ferry Xpress faria o transporte daqueles veículos que aguardavam havia dias.

Resolvemos tocar direto para Cartagena.

26 de fevereiro. Colômbia, aí vamos nós.

Novamente por excelentes e pictóricas estradas ganhamos a fronteira rapidamente. Nos estressamos para sair do Ecuador, onde inexplicavelmente havia uma fila única na Imigração, tanto para quem entra, quanto para quem sai do país. Nada além da necessidade de auto-afirmação autoritária justifica tamanha irracionalidade: para sair basta um carimbo no passaporte, sem perguntas, sem nada. Diferente de quando adentramos ao país.
Nos estressamos, também para entrar na Colômbia. Os trâmites imigratórios foram céleres. O problema ocorreu na Aduana, em um burocrático órgão chamado DIAN. Nos deixaram por duas horas esperando o único burocrata que poderia “firmar el documento de importación temporal de veículo”. Tola formalidade que um chipanzé bem treinado seria capaz de desempenhar com maior rapidez e eficiência. Este tempo morto, causado por moscas-mortas, nos impediu de dormirmos em Popayan, como havíamos previsto, prejudicando bastante nosso planejamento. Dormimos em Pasto, cidade horrorosa, perto da fronteira.

23 de fevereiro. Chegando em Quito.

Entrar no Ecuador foi uma agradável surpresa. Como por mágica sumiram as irritantes buzinas que nos atormentaram durante toda a estada no Peru. As estradas melhoraram e, alegria, nas estradas os motoristas sabiam que o tráfego lento deve ficar na pista da direita (no Peru mesmo os ônibus e caminhões transitam lentamentamente na pista da esquerda, implicando derem ultrapassados pela direita, contra todas as regras internacionais de trânsito e de bom-senso).

Desfrutando a paisagem, em segurança, rodamos até Quito, uma cidade enorme, capital, onde também se transita com tranquilidade e poucos engarrafamentos, para uma agradável estada por quatro dias, com queridos amigos, boa comida, e bastante descanso.

22 de fevereiro. Rumo ao Ecuador.

Interessados pelos manguezais que estabelecem a fronteira natural com o Ecuador e em busca dos “caimanes” que o Fran queria fotografar chegamos a um povoado coalhado de guias oferecendo seus serviços de barcos a “los manglares y cocodrilos”. Um verdadeiro “pega trouxas” como observado pela Bá. Um mangue como qualquer outro e, pasmem, um “viveiro” de jacarés, de um bizarro preservacionismo: contando com quase três centenas de exemplares de várias idades, esses animais não conseguiriam sobreviver na natureza, desacostumados a buscar alimentos em decorrência do cativeiro. Uma espécie de Projeto Tamar às avessas. Basicamente um galinheiro sujo e mal-cheiroso, com répteis agordados e pachorrentos ao invés de galináceos.

Perdemos quase quatro horas neste programa (sem cocar) e, requintes de masoquismo, enfrentamos os trâmites fronteiriços: imigração e aduana de um lado; imigração e aduana de outro lado.

Respiramos fundo e ainda tocamos quase 200km para dormirmos em Machala, no decadente Hotel Oro Verde.

21 de fevereiro. Lima a Tujillo.

A Panamericana ao Norte de Lima também está em bom estado, com muitos trechos duplicados. Chega a ser monótona rasgando o deserto com o oceano pacífico á esquerda, visível em vários pontos. Consta que as praias ali são fabulosas para quem pratica surf, mas não visualizamos surfistas. As vilas praianas são muito, digamos, rústicas, precárias, possivelmente pela falta de água doce. Optamos por seguir decididos rumo a Trujillo, cidade colonial em que o principal atrativo é Chan-Chan a maior “cidade de adobe” do mundo.

Na verdade não se trata de uma, mas de um complexo de nove cidades muradas, todas construídas em adobe (tijolos de argila e palha), com paredes de aproximadamente 10 metros de altura, em formato trapezoidal, mais larga na base e mais estreita no alto, onde apresenta uma largura de aproximadamente um metro, de modo que se podia caminhar sobre as muralhas. Cada cidade possuía apenas uma entrada, por um corredor que conduzia a outra exclusiva porta e a outro corredor que deveria ser percorrido por longos metros até nova porta única, desencontrada das duas portas anteriores. Estes labirínticos corredores teriam, segundo os arqueólogos duas funções: defesa e privacidade, impedindo a visão do que se passava dentro a quem estivesse fora.

Este magnífico conjunto arquitetônico foi preservado em função dos baixos níveis pluviais e por conta de que vários prédios permaneceram, por séculos, sob as dunas que os encobriam.
Habitadas pelos Chimús estas cidades já estavam desertas quando chegaram os invasores espanhóis, eis que haviam sido derrotados pelos quéchuas liderados pelo Inka uns 60 anos antes dos europeus aportarem. De Chan-Chan havia sido levada boa parte das toneladas de ouro que, pouco depois seriam subraídas por Pizarro e destinadas à Coroa Espanhola e à sua aliada, a Igreja Católica. Em reconhecimento ao mercenário na Catedral de Lima encontra-se uma capela destinada a Pizarro, onde vários fiéis lhe dedicam sinceras e profundas orações.

18 de fevereiro. Lima, a capital do Vice-reino.

O percurso a Lima contém duas etapas, até Nazca curvas e montanhas; o resto basicamente um deserto a beira-mar. Bonita, mas um pouco monótona a Panamericana neste trecho, quase totalmente duplicada com asfalto em excelentes condições. Pena que os peruanos dirijam tão mal.

Nos esperavam três dias na linda capital peruana, seu bairro de Miraflores e sua gastronomia internacionalmente reconhecida.

17 de fevereiro. De volta à estrada!

Depois de dois dias em Cuzco, de quatro dias fazendo a trilha Salkantay a pé, de duas noites em Águas Caleintes e de Machu-Picchu, voltamos a Cuzco antes de retomarmos a estrada. Já estávamos com saudades da Lola.

Subimos, descemos, subimos e descemos novamente a sinuosa transoceânica para dormirmos em Puquio, oito horas mais tarde.

09 de fevereiro. Cuzco!

De Puno a Cuzco a viagem é tranquila. Toda por asfalto, da estrada se vê o trevo que poderia nos conduzir, também por asfalto até a divisa brasileira, no Acre. Hoje se vai até do Atlântico ao Pacífico sem nenhum trecho de estrada de chão, terra ou rípio.

Se percebe que mudamos de país pela infraestrutura, nas estradas, nas cidades, e pela ausência de lixo nas ruas, calçadas e acostamentos. Não é pouca coisa. O subdesnvolvimento deste lado peruano da fronteira fica evidente por três características:

  1. pelo hábito de buzinar, todos o tempo todo, para nada, pelo prazer de buzinar. Não se trata de toquinhos sutís, como alerta aos demais motoristas ou pedestres, mas de verdadeira disputa de chatices, para provar quem reclama mais;
  2. pela direção agressiva, individualista, descortez. Saem para ultrapassar em faixa contínua, vêm dando sinal de luz esperando que quem vem na sua pista lhe dê espaço;
  3. não conseguem entender para que serve a pista da esquerda nas auto-pistas, duas indo, duas voltando. Mocorongos, insistem em trafegar lentamente na pista da esquerda forçando serem ultrapassados pela direita.

De silimitude com os Bolivianos o mau-gosto de manterem televisores ligados em todos os restaurantes, com volumes vários pontos acima do razoável, exibindo video-clipes de cantores populares, ou de “música ambiente” de gosto duvidoso (cúmbia), forçando a clientela a se comunicar aos berros. De certa forma lembram algumas praias do nordeste brasileiro que costumavam ser paradisíacas antes da implantação do hábito das disputas entre as barracas, bares ou estabelecimentos para ver quem tem o som mais possante e o pior gosto musical (geralmente axé, brega ou sertaneja).

08 de fevereiro


Voltando da Isla del Sol passamos direto por Copacabana com destino á fronteira com o Peru. Duas horas de alfândega, achaque, incômodo. Merecíamos um carinho. Paramos em Puno, em um hotel 4 estrelas, rede Sonesta. Dia livre para ficarmos sem fazermos nada.

04 de fevereiro

Destino La Paz, passamos antes em Oruro para o primeiro contato do trio com o caos do comércio de rua, do trânsito, das buzinas. Inauguramos a autopista Oruro-La Paz aberta ao tráfego na véspera. Uma maravilha. Duas pistas duplas, até El Alto, a parte de cima da capital La Paz

03 de fevereiro

Visitamos o Salar pela manhã e quando fomos sair, novo problema mecânico na Lola que implicou uma noite a mais na horrorosa Uyuni. Partimos em direção a Potosi sem termos condições de hierarquizar diferentemente: foi o trecho mais bonito da nossa grande viagem. Em pouco mais de 300 km usamos mais de cem interjeições de admiração, de espanto, de alegria.
Não dormimos em Potosi, depois de visitarmos uma mina, rumamos para Oruro. Como estávamos cansados dormimos 100 km antes do destino programado, em uma cidade pior que Uyuni, chamada Challapata. Se puderem, evitem.

01 de fevereiro

 Como o salar estava alagado, ao invés de dormirmos perto de San Juan, seguimos doretamente para Uyuni. Lindo percurso, talvez tanto quanto a Carretera Austral, embora diferentes. Lagoas Honda, Hedionda, entre outras. Deserto, neve, chuva, lama. Totalmente off-road. Inesquecível.

31 de Janeiro

Passamos logo cedo pela aduana Chilena e entramos uma hora mais tarde na Bolívia, pelo Parque Laguna Verde. Na entrada perguntei se não teríamos que registrar o carro e responderam que não. Desconfiado, aceitei. Passamos pela blanca, pela verde, por diversas lagunas, geisers, termas, lindas paisagens até a Laguna Colorada, onde pernoitamos em um refúgio super simples, quartos coletivos, dois banheiros mistos para mais de 50 pessoas. Suportamos. afinal sairíamosmbem cedo para Uyuni.

30 de janeiro

Deixamos San Pedro e o Chile ao amanhecer, com destino à Laguna Colorada. Foi uma grande alteração na altitude: de 2400 a 4900 metros, por tortuosos caminhos altiplânicos, passando por Laguan Blanca, Laguna Verde, pelas termas e por curiosos geiseres que exalavam fortíssimo odor a enxofre. Lembramos de Hugo Chaves, na ONU, aludindo ao “demônio del norte”. Hospedados em um Refúgio precário (quartos com cinco camas, sem direito a banho disputando um único banheiro – misto! – com cerca de trinta outros viajantes, de distintas nacionalidades. Experiência fantástica!

27 de janeiro

Já no final da tarde resolvemos arriscar um atalho para procurarmos pouso perto dos Geiseres de el Tatio. Nosso mapa Copec e o GPS indicavam que, passando por Rio Grande chegaríamos a Machuca. A ideia era acordarmos bem cedo para chegarmos a El Tatio, ao alvorecer, momento em que a água emerge em jatos ferventes. Não deu certo. A estrada terminava em Rio Grande, belíssimo lugarejo com menos de 300 habitantes, todo em adobe, terracota e pedras ocre. Quando jà estávamos quase chegando em San Pedro de Atacama nos demos conta da bobagem: deveríamos ter dormido em Rio Grande, onde há uma pequena hospedaria, bem rústica. Teria sido uma experiência única. Fica a dica.

26 de janeiro

Dia de deslocamento. Rodamos quase 800km. Cansados, dormimos em uma cidade sem nenhum encanto: Cañaral e saímos bem cedo para outros 750 até San Pedro de Atacama.

25 de janeiro

Partimos cedo para cumprirmos os 700 km que nos separavam do Vale do Mais bonito do Chile, onde se situa o Hotel Elquis Domos, na cidade de Pisco Elquis. Simplesmente fantástico. Um dia voltaremos para ficarmos mais tempo nestas terras onde nasceu apoetiza Gabriela Mistral.

24 de janeiro

Saímos por volta do meio-dia com destino a Santiago para recepcionarmos Antonio Villanova, amigo de Fran e Bá que vinha para nos acompanhar até La Paz, onde vive seu pai. Optamos por nem entrarmos em Santiago. Cidades grandes não estão entre as nossas preferidas. Demais disso, tínhamos uma reserva em um hotel singular para a noite seguinte.

23 de janeiro

Ainda com dores decorrentes dos excessos físicos da subida ao Vulcão parimos cedo em direção a Chillan, trezentos e poucos quilômetros ao norte onde almoçaríamos com Rodrigo Calderón, professor e advogado de sindicatos, querido amigo chileno desde 1995, e, mais surpreendente, tentaríamos encontrar com o Giulliano Recchia, amigo do Fran desde que ambos tinham 2 anos, colegas na Escola Trilhas. Deu tudo certo, depois de saboroso almoço com Rodrigo e seu simpático irmão Álvaro, conseguimos nos hospedar no mesmo camping/cabaña em que já estavam instalados os irmãos do Giuli, seu pai Marco e seu tio Tiago: Granja Museo Doña Rita, com direito a churrasco e pisco sauer.

21 de janeiro

Com a embreagem substituída, por volta das 4 da tarde saímos em direção a Pucón. Asfalto bom, seguimos ao norte pela Ruta 5, com alguma pressa pois sabíamos que teríamos que chegar a tempo de contratarmos guias para escalarmos o vulcão Villarrica no dia seguinte. Nos hospedamos por duas noites no simpático Plaza Pucón, um hotelzinho familiar, bem decorado e com atendimento personalizado.

18 de janeiro

De Chaiten há ferry-boats diretos para Puerto Montt, mas decidimos ir pelo caminho mais longo, mais difícil e mais bonito. Em sintese, teríamos que pegar um Ferry em Caleta Gonzalo, rodar uns 20 minutos, tomar outro ferry para Hornopirén por três horas, rodar mais um trecho e tomarmos um terceiro ferry para enfim ganharmos a carretera austral novamente, com destino a Puerto Montt, onde precisaríamos chegar antes do dia 20, para levarmos a Lola ao mecânico por conta daquele problema na embregem identificado há mais de 2.000 km, ainda no Torres del Paine.

Decididmos rodar até bem próximo de Caleta Gonzalo, para não ficarmos muito distantes do porto de saída do primeiro ferry, agendado para as 10h15 do dia 19 de janeiro.

17 de janeiro

Madrugamos para fazemos render o dia. Antes da 8 já estávamos na estrada, depois de “levantarmos acampamento”. Mais um dia de maravilhosas vistas da Carretera Austral, mas diferentes das vistas no dia anterior. Com o tempo fechado, nuvens baixas, viajamos o tempo todo com o limpador de parabrisas acionado, praticamente dentro das núvens.

Na Cordilheira dos Andes as distâncias não se medem em quilômetros, mas em horas. Depois de cinco horas almoçamos bem em Puyuhaipi, cidade de colonização alemã em um café tipicamente tedesco, com direito a Kassler und Kartofle (algo assim).

Duas horas mais tarde chegamos ao Hotel Distancia y Tiempo onde pernoitamos depois de comprarmos por internet os ticketes dos ferry-boats que, depois de amanhã, nos acercarão de Puerto Montt.

16 de janeiro

Cruzamos a Cordilheira dos Andes pela primeira vez na viagem. Tudo em rípio, serpenteamos serra acima e morro abaixo a 30 km por hora, com vários sustos ao nos deparamos com carros ou caminhões em sentido contrário, em velocidade imprudente, em várias das das dezenas de “cotovelos” e “ferraduras” deste “paso”, até chegamos na primeira cidadezinha, onde “desaynamos”.

Nosso objetivo era chegarmos em Puerto Tranquilo antes do almoço, para visitarmos na “catedral de marbol”, estranhas formações escavadas na montanha de mármore na ponta mais a oeste do enorme lago que viemos margeando desde a fronteira pela força das fortes ondas causadas pelos ventos patagônicos que “encanam” neste trecho da cordilheira. Lindo. Nos divertimos e seguimos em direção a Coyaique, onde pretendíamos dormir.

Incrível como os brasileiros não descobriram a Carretera Austral, sem dúvida uma das mais lindas estradas do mundo. A cada quilômetro uma interjeição de espanto e de admiração.

Estando cedo e com tempo bom, depois de várias e infundadas acusações de “o papai está arregando” e do coro “arregão, arregão, arregão!” repetido várias vezes chegamos ao Camping Rio Simpson. Passamos uma noite maravilhosa, fizemos amigos, o Fran tocou violão, eu a Bá cozinhamos. Uma diversão.

15 de janeiro

Saímos cedinho pretendendo rodar uns 700 km em direção ao norte, até Los Antíguos, “capital de la cereza”, fronteira com o Chile. Viagem monótona, nada acontecia. Abastecemos quando terminava o tanque, rodamos em busca de um local para comer, sempre pela Ruta 40, que tem longos trechos em rípio (mais de 200 neste dia). Nenhum posto de gosolina, nenhum restaurante, nada, somente aquela típica paisagem patagônica argentina, plano, agreste, com guanacos aqui e ali e, muito de vez em quando, pequenos grupos de ovelhas, tosquiadas, feias.

Quase três da tarde aparece, como miragem, um “parador” com placa de “hospedaje y comidas”. Alegria. Ao entramos achamos tudo muito soturno, nenhum carro, nada. Pedimos para a Bárbara espiar, pois havia uma mochila e um violão perto da porta de entrada. Poucos minutos depos voltou a Bárbara com um “hermano” falando “portunhol”. O restaurante estava aberto, era tocado por uma boliviana, caro, mas é o que havia na redondeza. Encaramos. Pedimos uma pizza e uma Coca Litro. O lugar não nos surpeendeu. Com aquela aparência só podia ser horrível a comida.

Demos carona para Emerson, o violeiro. Super agradável. Ele e Fran foram tocando violão, Bárbara cantando, nem vimos passar o tempo até Perito Moreno (cidade homônima ao Glaciar, em Calafate, 800 km mais abaixo no mapa). Nos despedimos lamentando deixarmos tão agradável companhia.

Chegamos na fronteira ainda com luz do dia, por volta da 20 e resolvemos encarar a burocracia da fronteira desde logo, ganhando tempo para o dia seguinte, para dormirmos em Chile Chico, já no país vizinho.

Naquele horário tudo foi muito rápido e, pouco depois já estávamos hospedados em uma “cabanha” na beira do Lago General Carreira, de onde partimos bem cedinho no dia seguinte.

 

13 de janeiro

Partimos cedo, por volta das 8h, pois sabíamos que rodaríamos bastante até chegarmos a El Chaltén. Saímos por Cerro Castillo onde novamente não tivemos dificuldades com a burocracia. Pela primeira vez, desde o início da viagem, um policial pediu para ver a autorização da mãe das crianças para viajarem apenas com o pai. Nem na primeira fronteira, com o Uruguay, pediram. Calculamos que com um quarto de tanque chegaríamos novamente à Argentina, sem precisarmos abastecer no Chile. O posto ficava a 20 km da fronteira e chamos quase “no bafo”. Decepção: fechado, sem viva alma. Como levamos combustível reserva no bagageiro de teto colocamos uns 10 litros só para chegarmos até perto de El Calafate, onde certamente havaria posto.

Rodamos mais uns 100 km e nada. Paramos novamente e decidimos usar um dos galões inteiro. No próximo posto encheríamos tudo novamente. Mais uns 200 km e nada, novamente reserva. Pela terceira vez secamos o que ainda tínhamos no teto, torcendo para que houvesse “una gasolinera” por perto.

A coisa estava ficando feia quando vimos um restaurante de beira-de-estrada, La Leona. Estávamos com fome e poderíamos perguntar onde abastecer. Para nossa sorte a dona concordou em nos vender algum combustível suficiente para chegarmos até El Chaltén, onde chegamos novamente “no bafo”. Foram 620 km até encontarmos um posto para abastacermos. Quando encontramos compramos cem dólares em diesel, repondo todos os nossos estoques.

9 de Janeiro

Quarta fronteira. Chile. Trâmites fronteiriços descomplicados. Saída da Argentina, entrada no Chile em pouco mais de meia hora. Havíamos sido alertados para abastecermos antes da fronteira, onde o diesel é mais barato. Rapidamente as Torres del Paine foram se aproximando enquanto chacoalhávamos no rípio. No caminho topamos com “las cuevas del Milodonto”, uma preguiça gigante que habitava nosso continente, com mais de três metros de altura. O Hotel Rio Serrano foi razoável, bom serviço, apesar da péssima cozinha. Uma pena não investirem em um chef pois a infraestrutura é excelente. Nos quatro dias que passamos no Parque Nacional rodamos uns 400 quilometros, tudo em rípio. Em uma das paradas identificamos um ruído estranho na embragem. Planejamos trocar todo o sistema quando chegarmos a Puerto Montt, no Chile, no dia 20 de janeiro.

07 de janeiro

Primeiro “dia de folga” na viagem. Não programamos nada. E não fizemos nada, a não ser conversarmos, botarmos as conversas com amigos em dia, realizarmos algumas pesquisas na internet e atualizamos o site.
Jantamos no Kalma Restô, restaurante de autor do chef Jorge. Recomendamos.

06 de janeiro

Ushuaia nos recebeu com um dia aberto, com muito vento. À tarde conhecemos o Parque Nacional Terra del Fuego e, claro, tiramos a desejada foto ao lado da placa indicativa de que estamos no “fim do mundo”, onde começa a ruta 3.

Em uma  tarde agradável pudemos conhecer a mais remota agência de Correio em todo o planeta e  o estrago que Castores (importados para exploração de suas peles e soltos mais tarde na natureza) estão fazendo à natureza. Não tendo predadores, destroem anualmente muitos hectares de floresta para fazerem suas tocas. Um desastre ecológico.

Tivemos a sorte de encontrarmos uma raposa cinza e vários tipos de pássaro enquanto caminhávamos pelos inúmeros “senderos” que cortam o parque.

03 de janeiro

Partimos cedo em direção a El Calafate. Rodamos o dia inteiro. Pelo meio da tarde cometi um erro infantil. Quando percebi que o GPS me conduzia a uma estrada de rípio (com uma placa indicando 240 km até El Calafate), ao invés de consultar o mapa, decidi ir pelo asfalto. Resultado: encompridei a viagem em quase 300 km. Enorme bobagem. Eram menos de 80 km em rípio, uma barbada. Acho que aprendi: se desconfiar do GPS, antes de decidir “desobedece-lo”  foi espiar bem o mapa para analisar e soperar as alternativas. Chegamos em El Calafate o anoitecer, tendo passado ao largo de Rio Gallegos (se olharem no mapa compreenderão o tamanho da minha burrada).

Um dos umbigos do mundo para quem adora esportes de aventura, nela se situa o Glaciar Perito Moreno, pondo de confluência de pessoas dos mais distintos países. Na chegada fui surpreendido pelo grito amigo do Marcelo “magrão” Maronezzi que estava lá acompanhado da mulher, dos cunhados e dos pais do concunhado. Excelentes pessoas, agradáveis companhias. Passamos o dia todo juntos e combinamos de nos encontrar em Ushuaia

Por sugestão do Guilherme, concunhado do Magrão, fomos fazer um trekking autônomo no Cerro Cristal, ao lado do Lago Roca. Do alto se pode vislumbrar o Glaciar Perito Moreno (e a vida) desde uma outra perspectiva. Adoramos.

02 de janeiro

Depois do pior mergulho de nossas vidas e de termos passado muito frio às 11h deixamos Puerto Madryn rumando ao sul, sempre pela Ruta 3.

Nosso destino era Comodoro Rivadávia, mas passaríamos em Punta Tombo, a maior “pinguinera” visitável do mundo. Descontando os exageros dos Hermanos argentinos, de fato, as dimensões do parque são impressionantes. Nele os pinguins transitam o tempo todo entre o mar e as tocas em que seu “parceiro” afetivo permanece cuidando de um ou de dois filhotes. Pais e mães se alternam nos cuidados com os filhos, como deveria ser em todas as espécies.

Nos fartamos de fotos e seguimos viagem. Ao chegarmos em Comodoro Rivadávia constatamos se tratar de uma cidade de porte médio, muito movimentada, o que sempre dificulta para quem está “de passagem”. Informados em um posto de gasolina de que haveria hotéis em Caleta Oliva, esticamos a viagem por mais 70 quilometros para nos hospedarmos em um apart-hotel chamado Gutero, bastante razoável, com dois quartos, sala, banheiro, etc. E boa internet, o que é um valor para quem está na estrada.

30 de dezembro

Dificilmente dormiremos em um hotel pior do que o de Rio Colorado. Se aquele era o melhor, imaginem os outros !

Encaramos mais 700 km até Puerto Madryn, onde chegamos no meio da tarde. Cidade simpática, pequena, é a porta de entrada para a Península de Valdés.

No último dia do ano decidimos mergulhar com os Lobos Marinhos, em uma “loberia” bem próxima à cidade. Tudo combinado para as 12h, fomos informados de que haveria um atraso de uma hora. Voltamos, nos arrumamos e às 14hs nos disseram que por razões climáticas o mergulho havia sido cancelado. Enorme frustração, mas não nos deixamos abater: se não poderíamos estar com os “lobitos” embaixo da água, iríamos fotografá-los desde a superfície na Punta Loma.

Tivemos uma razoável ceia de ano-novo, brindamos à família e ao amor e, depois dos fogos, fomos descansar, pois sabíamos que o dia seguinte prometia.

Iniciamos o ano de 2015 com um longo percurso de quase 5 horas por estradas de chão dentro da Península de Valdés. Por razões de segurança Francisco e Bárbara tiveram sua primeira aula de direção em uma estrada deserta: se for necessário, em uma emergência, já sabem como levar o carro até o socorro mais próximo. Haverá outras aulas, em breve.

À noite duas notícias, uma boa e outra má. A boa: confirmara o mergulho com os lobos marinhos para o dia seguinte; a má: teríamos que estar na operadora às 7h.

Diante disso arrumamos todas as malas na Land para fazermos o mergulho pela manhã.

29 de dezembro

Partimos bem cedinho de Buenos Aires, pela Ruta 3 que conduz até Rio Gallego, salta por sobre uma nesga chilena, e continua pela Terra del Fuego, até o fim do Parque Nacional de mesmo nome, onde existe uma placa indicativa da quilometragem até Buenos Aires (algo em torno de 3.000 km) e até o Alaska (cerca de 18.000km). Pretendemos tirar uma foto ao lado desta placa, se a encontrarmos.

Depois de 860 km, tendo passado ao largo de Bahia Blanca, dormimos em Rio Colorado, no “melhor hotel da cidade”, segundo nos informou um policial na estrada. Com este nome não podia ser grande coisa, e não era.

27 de dezembro

Foram três noites em Buenos Aires, no hotel ART UNIQUE MADERO, a meio caminho entre Puerto Madero e San Telmo, excelente localização.

O primeiro dia foi gasto em longa caminhada desde a Ricoletta até a Plaza de Mayo, passando pela Florida para constatar a decadência do que já foi uma pujante rua comercial, com direito a “uma milanesa con papas fritas” em um daqueles restaurantes que laçam clientes no calçadão. Depois de rápido descanso nos fartamos em um excelente restaurante italiano em Puerto Madero.

Nos dias seguintes foram Plaza de San Telmo, mais caminhadas, e um excelente restaurante peruano, metido a japonês, chamado OSAKA. Mais caro do que bom. Paciência. Pelo menos a decoração valeu a pena.

Buenos Aires segue sendo a mais linda cidade da América do Sul. O Rio é lindo, por conta da natureza, não de sua arquitetura. Santiago é linda, mas falta-lhe um que de sofisticação. As demais capitais são bonitas, mas não se comparam a Buenos Aires. Talvez durante esta viagem mudemos de opinião. Tomara !

26 de dezembro

Tomamos café na padaria e às 9 horas já estávamos na estrada a caminho de Montevidéo, onde chegamos perto do meio-dia. Para fazermos hora para o almoço e para caminharmos um pouco por aquele “malecon”.  Surpresa: não tinham como lavar a Land, mas ofereciam a possibilidade de nós mesmos fazermos o serviço, usando a estrutura do posto de gasolina. Mãos-à-obra então.

Como convém, almoçamos no Mercado del Puerto, sempre excelente e nos mandamos para Colônia de Sacramento onde pretendíamos dormir.

Percorremos os 200 e poucos quilômetros a baixo de chuva. Cidade histórica, lembra Paraty ou Antonina, Colônia é uma cidade para ser conhecida a pé, o que se mostrava inviável diante do mau-tempo. Depois de uma consulta ao tripulantes decidimos passar naquele mesmo dia para Buenos Aires, no Buque Bus das 17h que chega às 17h em Buenos Aires (fuso horário com uma hora a menos).

A entrada na imigração argentina foi inacreditavelmente descomplicada. Menos de 20 segundos. Abrimos o vidro da Land e respondemos ao policial que sim, estávamos em férias. Ele nos sorriu, abanou e indicou que avançássemos. Quando vimos já estávamos na rua, no meio do tráfego, tentando rapidamente encontrar no GPS a rota para o hotel. Não contávamos com tanta amabilidade e eficiência nos trâmites fronteiriços.

23 de dezembro

Não fomos diretamente a Punta. Passamos por Valizas e por La Pedrera, duas praias lindas, por indicação de André Zipperer que desde o começo vem nos seguindo no FB , chegando para almoçarmos com Vicente, Andréa, Paula, Isadora e Carolina e com Nuredin e Elis que também estavam por lá.

Por sugestão de Vicente comparamos bandeirinhas de pano de cada um dos países que vamos visitar, em uma Kombi que fica estacionada na praça de Punta del Leste. Excelente ideia. Pretendemos mudar a bandeira que fica amarrada no alto da escadinha na traseira da Land a cada mudança de país.

Passamos o Natal com a família de Vicente e Andréa, amigos há mais de 20 anos. As crianças que não se encontravam havia anos. A interação dos cinco foi imediata. Afetos que se reencontram, como registramos em uma reprodução de cena de uma foto antiga, tirada em Curitiba.

Cercados de amigos verdadeiramente não nos demos conta de que a viagem já havia começado. Quando nos despedimos na noite de 25 sabíamos que no dia seguinte é que realmente estaríamos no mundo.

22 de dezembro

Partimos antes das 9 pois sabíamos que nos espera um trajeto de aproximadamente 700 km até Chuy, pois pretendíamos passar pelo Banhado do Taím para fotografar aquele ecossistema peculiar.

Hospedados no Hotel Bertelli, depois do jantar em uma das inúmeras  “Parrillas”, partimos o mais cedo que pudemos daquela cidade horrorosa. Não estranhem o adjetivo. Ele é justo, acreditem. Uma rua divide os dois países, cada lado rivalizando com o outro nos quesitos sujeira nas ruas, confusão arquitetônica e quantidade de chatos querendo vender-lhe algo.

No controle de fronteira os oficiais de imigração e de aduana não foram propriamente simpáticos, mas não criaram problemas. Em vinte minutos já estávamos circulando pela Ruta 9 uruguaia, com destino a Punta del Leste, para passamos o natal.

20 de dezembro

SONY DSC20 de dezembro.

Dormimos pouco dada a enorme excitação. Na sexta, 19, meus queridos sócios Mauro Auache, Mirian Gonçalves e Marcelo Maia foram se despedir de nós. Claudio Camelo e seu filho também. Tina, Dudu, Guga, Guilherme e Giovana. Não pudemos dar-lhes muita atenção pois estávamos atrapalhados com as últimas providências.

Quando o despertador soou às seis da madrugada já estávamos acordados. Ou quase. A Roze, fiel escudeira, nos esperava na copa com o desjejum preparado. Cheiro de café recém coado misturado ao do queijo derretido sobre broa preta. Sabores caseiros que sabíamos tardaríamos em reencontrar.

As malas já estavam na Land desde a noite anterior. Restou-nos entrar no jipe e partir. Depois de abanarmos para o porteiro tiramos uma foto do odômetro. Queríamos eternizar aquele momento, sabendo que não seria efêmero. Não era um momento, era um fato consumado: a partir dali percorreríamos pelo menos 50.000 kilometros.

Pela BR 116 rumamos até Lages, entramos à esquerda e por volta do meio-dia ultrapassamos São Joaquim, cidade mais fria do Brasil, que já havia sido visitada por nós, em Jipe, quando Francisco e Bárbara eram muito pequenos.

Por nostalgia ou porque a fome apertou retornamos ao Snow Valley para que experimentassem agora, 8 anos depois, as emoções da enorme tirolesa. Como previra eles adoraram! SONY DSC

De volta à Land, poucos minutos até o mirante no alto da Serra do Rio do Rastro. Depois de algumas interjeições usuais diante da magnitude do vale, descemos lentamente, serpenteando pelas trocentas curvas, cotovelos e ferraduras, em direção a Criciúma e, de lá, direto até Praia Grande, no extremo sul catarinense, fronteira com o Rio Grande do Sul.

Nos hospedamos, por duas noites, na simpática Pousada Aracema. Na manhã seguinte, frustrados os nossos planos de fazer uma trekking pelo Rio do Boi, por dentro do Canyon Itaimbezinho, por motivos climáticos, decidimos visita-lo desde o lago gaúcho, serra acima.

Em seguida, refazendo parte do caminho de ida, desfrutamos do enorme prazer off-road, pela estrada da Serrinha, para almoçarmos em um agradável restaurante rural familiar (Nossa Casa Rural) antes de iniciarmos o passeio pelo Canyon Malacara, seguindo o rio que lhe empresta o nome. Uma maravilha, com direito a banho da Bárbara nas geladas águas correntes enquanto Fran e Xixo se abobavam tirando selfies e garagalhando.

Exaustos dormimos como pedras até as 6h30 para que Bárbara pudesse matar a vontade de cavalgar enquanto “os meninos” arrumavam tudo, tarefa que já havíamos iniciado na noite anterior.