Meteora: reflexões e saudosismos musicais

em Metéora.

Na região centro-norte da Grécia não insular um acidente geográfico possibilitou um legado cultural, arquitetônico, histórico.
Trata-se de Meteora, que em grego significa “pedra suspensa no ar”, blowin’ in the wind, como na balada de Bob Dylan.

Trata-se de um conjunto de monolitos, enormes pedras de arenito que aparentemente brotam do chão, íngremes, verticais, elevando-se a 400 ou 500 metros em um vale cercado de montanhas com neves eternas.

Neste lugar, há quase dois mil anos, heremitas se instalaram, mas foi no final de 1400 que, temendo os Otomanos, algumas ordens religiosas se aboletaram em seus cumes inexpugnáveis. Quando a América foi invadida pelos cristãos – um continente inteiro não mencionado pela bíblia, habitado por milhares de seres humanos que não eram nem cristãos, nem muçulmanos, e que absurdamente aparentavam a felicidade dos que não nascem culpados – e quando foi contrariada a versão cristã de que a terra era um tabuleiro, quando o planeta foi contornado em circunavegação, nestes mosteiros à custa de muita genuflexão seus intérpretes e portavozes se tornaram ainda mais ortodoxos, encobrindo a razão com o sagrado manto da fé. E seguiram erigindo mosteiros onde se refugiavam das conclusões racionais.

O acesso aos mosteiros encarapitados nas pontas se dá por buracos abertos a certa altura da pedra e por estreitas escadas esculpidas em suas laterais que em irregular caracol conduzem ao topo.

No total já foram 20 os mosteiros assim edificados. Hoje restam 6, dois dos quais exclusivamente femininos, de religiosos “ortodoxos”, daquela parte dos católicos que foi expulsa da Igreja em 1054, por não acatarem a determinação de que rezassem missas exclusivamente em latim e que obedecessem o infalível papa, sem questionamentos.

Embora mínimas as diferenças teológicas (o formato da cruz em que Jesus teria sido crucificado, por exemplo) eles seguem ainda mais medievais que os demais. Para adentrar aos mosteiros se exige de mulheres o uso de saias ou vestidos. Por três euros, preço do ingresso, saias para vestir por cima da roupa ficam à disposição para as moças e senhoras que insistem em se vestir como homens, com calças compridas.
Mas vale a pena. São ortodoxos, medievais, arcaicos. E têm o direito de serem assim (desde que não queiram impor seus mitos, preconceitos, sua fé e seus rituais aos demais. Se fizessem isso seriam chatos, antes de serem fundamentalistas).
Nas viagens aprendemos sempre a respeitar, a tentar entender, e a refletir sobre quanto tempo terá que passar, quantas estradas teremos que percorrer, quantas pessoas terão que morrer até que possamos ouvir, ver e sentir o que realmente importa sem recorrermos a obscurantismos.

Os altos de Meteora convidam à reflexão nestes tempos em que pessoas são discriminadas por não terem papéis que as autorizem a circular pelas ruas, a trabalhar, a viver nos países que, capitalistas, juram cultuar a liberdade e que, cristãos, asseguram apregoar a misericórdia e a solidariedade.
Onde estará a resposta?

BLOWIN’ IN THE WIND

How many roads must a man walk down
Before you can call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she can sleep in the sand?
Yes and how many times must cannonballs fly
Before they’re forever banned?
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind
Yes and how many years can a mountain exist
Before it’s washed to the seas (sea)
Yes and how many years can some people exist
Before they’re allowed to be free?
Yes and how many times can a man turn his head
Pretend that he just doesn’t see?
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind
Yeah and how many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind?

‪#‎meteora‬
‪#‎ortodoxos‬
‪#‎overlander‬
‪#‎grecia‬

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